BLOG

18 de Brumário – Normando Rodrigues

Por Normando Rodrigues, advogado e membro do Leme.

O textorelaciona fatos históricos com os acontecimentos catastróficos e reações de Bolsonaro em seu primeiro ano de governo. Leia agora:

A data passou a significar Golpe de Estado. Nesses tempos de louvor à imbecilidade, com direito a governo de terraplanistas, não custa lembrar da origem da expressão. A história ensina.

Agora o “Primeiro Mentecapto” da república, e seus filhos não menos azemulados, bravateiam um golpe. Claro, contam com o precedente do Golpe de Estado de 2016, urdido “com o Supremo, com tudo”

A Revolução Francesa de 1789 – contra a qual o chanceler Ernesto Araujo já manifestou descontentamento – pretendeu racionalizar nossa compreensão das relações humanas, e da natureza. A ela devemos, por exemplo, o sistema métrico, embora ainda existam aqueles que preferem continuar a medir o mundo conforme o tamanho do polegar, pé, braço, ou passo, do Rei da Inglaterra.

Uma das inovações da Revolução Francesa que “não colou”, além da tal “igualdade”, foi o calendário revolucionário, que nominava os meses conforme as características climáticas (francas, por suposto) recorrentes em cada época. Assim, o período do outono setentrional que vai de 22 de outubro a 20 de novembro, com névoas típicas, passou a se chamar mês do Brumário.

NAPOLEÕES

Em 18 de brumário do ano VIII (9 de novembro de 1799) o jovem general Napoleão Bonaparte deu um golpe de estado, se declarou Primeiro Cônsul como os antigos chefes do estado romano, fechou a Assembleia Nacional e encerrou o governo revolucionário. Cinco anos depois Napoleão proclamou-se Imperador dos franceses.

Em 2 de dezembro de 1851 foi a vez de Luís Napoleão, sobrinho de Bonaparte e então presidente da 2ª República, dar seu golpe de estado, fechar o parlamento e se autoproclamar imperador Napoleão III. O decalque do gesto do tio mereceu de Karl Marx o rótulo de “18 de brumário de Luís Napoleão”.

Agora o “Primeiro Mentecapto” da república, e seus filhos não menos azemulados, bravateiam um golpe. Claro, contam com o precedente do Golpe de Estado de 2016, urdido “com o Supremo, com tudo”, o qual para a desgraça de seus perpetradores enfraqueceu as instituições por eles encabeçadas a ponto de um analfabeto funcional ser-lhes ameaça.

HIENAS

Bolsonaro é tentado a fechar o Congresso enquanto o banditismo político de sua conduta ainda tem suporte. Mas erram os apologistas da “popularidade em queda livre”. O 30% de apoio ao fascismo é minoria sólida, pronta a aplaudir de pelotões de fuzilamento ao estupro de mulheres opositoras. Não se espere humanismo de feras.

E, a propósito, o Leão alfa é um animal covarde, que depende das fêmeas para sobreviver e ao mesmo tempo as despreza. Quando chega ao poder, mata as crianças dos outros, para garantir o “filé” somente para seus filhos.

As palestras de Deltan, a operação Lava Jato e a razão neoliberal
Lava Jato: uma aliança jurídico-midiática contra a democracia