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Aos 9 de Paraisópolis

Gustavo Cruz Xavier, 14 anos, Dennys Guilherme dos Santos Franco, 16 anos, Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16 anos, Denys Henrique Quirino da Silva, 16 anos, Luara Victoria Oliveira, 18 anos, Gabriel Rogério de Moraes, 20 anos, Eduardo da Silva, 21 anos, Bruno Gabriel dos Santos, 22 anos, e Mateus dos Santos Costa, 23 anos, esses são os nomes dos nove jovens assassinados pela Polícia Militar de São Paulo na última madrugada de domingo.

O avanço da desigualdade provocada pela a política neoliberal, e o governo infestado de fascistas, necessita da repressão policial para a manutenção do poder

A emboscada realizada pelos policiais em Paraisópolis, encurralando jovens em becos limitando as vias de fuga, em muito se assemelha à atuação nazista perseguindo e aprisionando os judeus em guetos. Pode parecer exagero a comparação, mas uma simples visualização nos vídeos divulgados da sangrenta intervenção policial, nos impede de negar tal cenário.

É vital destacar que a repressão policial no Brasil, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, não é novidade, porém o atual posicionamento do Estado de cumplicidade e, por vezes, incentivando a barbárie, acaba inventando a favela como um “inimigo” à paz social.

O fato de domingo não é algo isolado, conforme dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), 2019 já é considerado o mais sangrento em crimes cometidos pela PMRJ, entre janeiro e outubro já foram mortos pelas mãos da polícia carioca 1.546 pessoas, uma delas foi a pequena Ágatha Félix, de apenas 8 anos, baleada em uma “operação” no Complexo do Alemão, em 20 de setembro, outros quinze na chacina ocorrida no morro do Fallet-Fogueteiro, em 8 de fevereiro.

Devemos ter em mente que o recrudescimento da repressão policial, não é reflexo do despreparo dos agentes públicos, mas sim fruto de uma política de um Estado fascista, que se baseia no discurso de “mirar na cabecinha”, “ou se rendem ou vão pro chão”. Todos os casos acima relatados, foram mortes provocadas deliberadamente pelo poder público.

Aliás, essa política agressiva é necessária para a manutenção dos anseios neoliberais, que amplia o fosso da desigualmente, já percebida em números. Recente levantamento realizado pelo IBGE já aponta recorde na desigualdade no Brasil e, é resultado de um aumento de 8,4% na renda das pessoas mais ricas e queda nos ganhos das classes que formam os 30% mais pobres entre 2017 e 2018. O rendimento médio do trabalho da população 1% mais rica foi quase 34 vezes maior que a metade mais pobre em 2018.

O avanço da desigualdade provocada pela a política neoliberal, e o governo infestado de fascistas, necessita da repressão policial para a manutenção do poder. Ante essa imperiosa necessidade, a tendência é um aumento exponencial de repressão ao livre exercício de direitos e chacinas pelos agentes estatais.

E, nessa conjuntura, não é difícil elencar que os “pretos, pobres e favelados” são as principais vítimas da violência do Estado, como sempre foram. Os 9 de Paraisópolis e tantos outros jovens são, infelizmente, apenas a ponta do iceberg e, mais uma vez, o Estado precisará limpar o sangue em suas mãos. A denúncia e a responsabilização são importantes e necessárias no combate ao fascismo de Bolsonaro, Witzel, Doria e companhia.

Autor: Carlos Eduardo Azevedo Pimenta é carioca, comunista e petista, advogado ativista, formado pela Faculdade Nacional de Direito, sócio do escritório Normando Rodrigues e Advogados, integrante do Instituto Direito à Esquerda – IDE e do coletivo LEME, assessor jurídico do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense – SINDIPETRO/NF e da Federação Única dos Petroleiros – FUP.

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